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Auxílio emergencial reduz no Maranhão a extrema pobreza ao menor nível em 40 anos aponta Fundação Getúlio Vargas

Para o pesquisador e economista da FGV, Daniel Duque, fim do auxílio emergencial pode provocar um “repique” na extrema pobreza não só do Maranhão, mas de todo o país.

02/08/2020 15h41
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Por: Willamy Figueira Fonte: FGV
Foto: Divulgação
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Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) mostra que 19,9% da população maranhense vivia em junho com renda domiciliar per capita de menos de R$ 20,23 por dia; o equivalente a R$ 607 mensais por membro da famílias. São cerca de 1,3 milhões de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza e com a Pandemia do Coronavírus, esse número pode ser ainda maior, aponta a FGV.

Com mais da metade da população maranhense recebendo o auxílio emergencial em junho, a proporção de pessoas vivendo abaixo da linha de extrema pobreza nunca foi tão baixa em pelo menos 40 anos, de acordo com o pesquisador do Ibre/FGV. O fim da distribuição do benefício neste segundo semestre tende, porém, a provocar uma piora no indicador.

Um mês antes, em maio, a proporção da população em todo o país vivendo abaixo da linha de extrema pobreza era de 4,2%, o equivalente a 8,8 milhões de pessoas, conforme o levantamento, que se baseou na Pnad Covid, pesquisa do IBGE que acompanha os impactos da pandemia no mercado de trabalho brasileiro.

Outras pesquisas do IBGE - com metodologias diferentes e limitações comparativas - sugerem que a miséria está no menor nível desde, ao menos, o início da década de 80. O melhor momento até então havia sido em 2014, quando estava em 4,2%, a mesma proporção de maio deste ano.

Daniel Duque o economista e pesquisador do Ibre/FGV e autor dos cálculos, acrescentou que o auxílio emergencial tem forte impacto na extrema pobreza por seu alcance e valor elevado, de R$ 600 mensais. Em uma família de três pessoas, por exemplo, o valor per capita do benefício seria de R$ 200, acima da linha de pobreza extrema.

“Existem famílias que recebem cota dupla do benefício, como mães e pais solteiros, chegando a R$ 1.200. Nesse caso, mesmo que tenha quatro integrantes, a renda per capita dessa família vai superar a linha de corte de R$ 154 mensais” - disse o pesquisador.

Devido ao peso fiscal do benefício, que custou R$ 134,8 bilhões até ontem, a expectativa é que não haja renovação do programa após o término da 5ª parcela. Para Duque, o fim do pagamento pode provocar um “repique” na pobreza extrema. A intensidade dessa alta dependerá da recuperação do mercado de trabalho.

O governo do Maranhão ainda não preparou um programa social para beneficiar a população que está recebendo o auxílio emergencial em sua possível substituição, já que os fortes impactos da Pandemia na economia do Maranhão ainda serão sentido no ano de 2021. O governador Flávio Dino desconversa quando se trata de transferência de renda para população mais pobre do estado a exemplo da capital maranhense São Luis que concentra o segundo menor rendimento entre as capitais, com R$ 1.043 em 2018, mesmo tendo registrado aumento de R$138,00 em comparação com 2017.

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