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ASSUNTO ENCERRADO

Globo perde o interesse em transmitir jogos do Flamengo pelo Carioca

Fernando Manuel, diretor de direitos esportivos da emissora dá entrevista sobre negociação encerrada com o Flamengo. Executivo também fala sobre equilíbrio financeiro dos clubes e calendário do futebol

23/01/2020 01h11
Por: Redação
Fonte: Rodrigo Capelo
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Sem acordo para o Campeonato Carioca desta temporada, a Globo não transmitirá as partidas do Flamengo. Fernando Manuel, diretor de direitos esportivos da emissora, concedeu entrevista ao blog de Rodrigo Campelo para explicar o desfecho negativo das negociações. O executivo também falou sobre assuntos ligados à organização do futebol brasileiro, como adequação do calendário e desigualdade financeira entre os clubes.

– Por que Flamengo e Globo não chegaram a um acordo sobre os direitos de transmissão do Carioca de 2020?

– O Flamengo possui o direito de precificar, propor e pleitear o que ele considera adequado. Há um distanciamento entre Globo e Flamengo sobre o valor. Nós desejamos um acordo com o Flamengo, acredito que eles queiram um acordo com a Globo. Contudo, existem diferenças materiais do que se pode entregar neste acordo, neste momento, e sobre as circunstâncias.

– Que circunstâncias?

– Além das questões financeiras, existe um princípio sobre como lidar com os direitos de uma maneira, eu diria, mais coletiva. Em que existam critérios que levem a uma remuneração, mas não a uma precificação por etiqueta. Não queremos que alguns clubes tenham valores maiores ou menores de maneira pré-determinada. Eu diria que o grande fator que leva a essa situação é exatamente a negociação individual.

– Como assim?

– O Flamengo deseja ver refletido nas suas receitas um valor adicional por uma performance melhor. É normal, natural e correto que alguém dentro de um clube, que logrou resultados, queira condições melhores. A grande questão, e isso explica por que a negociação coletiva das grandes ligas funciona bem, é que a indústria precisa ser sustentável. Quando um quer ganhar mais, outro tem que ganhar menos. É preciso ter um modelo que equilibre as contas dos clubes, mas que no final envolva todo mundo. Na hora em que um não está dentro desse modelo, logicamente essa proposta não pode ser concretizada.

– Na esfera estadual, o fato de o Flamengo não ter acertado com a Globo a venda dos direitos de transmissão afetará a situação dos outros clubes?

– Quando nós compramos um campeonato aqui, e eu falo sobre os meus quatro anos de gestão, em toda e qualquer aquisição de direitos a Globo não arbitrou sobre o rateio. Nem entre clubes, nem federações. Nós compramos o campeonato. Ao entregar aquele recurso para a FFERJ, a FFERJ determina o rateio entre os clubes. Eu tenho o entendimento de que existe um valor maior para os clubes chamados grandes, por terem maior torcida, e existe uma tabela para os demais. Mas essa é uma definição das federações. Quando a gente olha para a Copa do Brasil, é a mesma coisa. Nós pagamos à CBF, e a CBF tem um critério para repartir o dinheiro com os clubes, que se paga fase a fase.

–Botafogo, Fluminense e Vasco têm cotas maiores. A dúvida é se o desfecho negativo com o Flamengo fará com que a Globo pague menos à FFERJ e aos clubes chamados pequenos.

– A partir do momento em que o Flamengo não assina este contrato, o valor diminui. Diminui porque você também não tem todos os jogos do campeonato para exibir. A não assinatura de um clube não impacta apenas na ausência do seu jogo, mas nas partidas de todos os clubes com os quais ele jogará. Além do não pagamento ao Flamengo, existe um desconto no contrato geral com a FFERJ? Sim, é verdade. Não entro no mérito dos valores. A redução no dinheiro existe porque estamos comprando um produto desfalcado, então é preciso haver um redutor no contrato em função de o produto não estar completo. Como esse desconto se dará entre os clubes, não é uma atribuição nossa. A FFERJ decidirá como fazer o rateio.

– A qualidade técnica dos campeonatos estaduais é visivelmente mais baixa, e há anos sabemos que as audiências também têm caído. Como a Globo vê os estaduais?

– Os estaduais ocupam parte do calendário, estimulam as rivalidades locais entre os clubes, então é claro que eles têm relevância. Ocorre que, quando você observa a relevância do produto e a necessidade de buscar modelos de negócio sustentáveis, é natural que você elenque prioridades. As pessoas falam muito que a Globo está abandonando os estaduais, porque não quer fechar com o Athletico-PR, ou porque quer um Campeonato Brasileiro mais forte. Mas é natural que, ao elencar prioridades, você busque competições nacionais e internacionais. Elas são determinantes para o negócio. E não é uma visão só da Globo, é uma visão do mercado como um todo. É só você ver a concorrência que nós tivemos pelos direitos da Série A e da Libertadores recentemente.

– A mudança do calendário é uma pauta que está atrasada em vários anos.

– A gente tem que tentar o seguinte. Antes ou acima de ser um grande produto de mídia, os campeonatos precisam ser grandes produtos esportivos. Quando você pensa dessa forma, nesse tipo de análise, pode chegar a algumas conclusões. Será que nós temos o melhor posicionamento dos estaduais em relação ao calendário, em meio a feriados e carnaval? É uma questão que nós precisaríamos discutir para avaliar as melhores alternativas para os estaduais.

– No mercado existe a seguinte interpretação: como o calendário tem alguns meses em que só há disputas de estaduais, a Globo não poderia deixar de comprar os direitos deles, caso contrário teria problemas com o pay-per-view. As pessoas suspenderiam as assinaturas até o início do Brasileiro. Isso realmente dificulta mudanças de postura da Globo sobre estaduais?

– O estadual é um produto que faz parte da equação do Premiere, isso é inegável. Quando o Premiere foi desenvolvido no modelo que temos hoje, você vai lembrar, o estadual era até maior em termos de calendário. Mas é aquilo. Entendo a sua pergunta em termos comparativos entre os campeonatos. Acontece que, nos atuais formatos de disputa, ainda que você tenha um peso grande em valor e entrega por meio do Premiere, é natural que a maior parte dos jogos decisivos seja transmitida pela TV aberta.

– Ou seja, o estadual é importante para o Premiere, mas as partidas de maior apelo, os clássicos, acabam transmitidos pela televisão aberta e não puxam o pay-per-view.

– E nos estaduais temos vários “matas-matas”: no turno, no returno, nas finais. É diferente do Campeonato Brasileiro, em que você tem um formato de pontos corridos com 380 jogos e pesos equilibrados entre eles. Todos valem três pontos. Então você tem uma alocação estratégica dos jogos entre as mídias aberta, fechada e por assinatura. Tanto que o Brasileiro gera um volume muito maior por meio do pay-per-view. Não por acaso, o Brasileiro é o maior campeonato de futebol do Brasil em termos de valores pagos aos clubes.

– A Globo entende que o calendário precisa ser revisto?

– Todo mundo adora me perguntar [risos]. Acho que porque eu decidi falar sobre calendário, embora eu fale coisas até óbvias.

– Historicamente, a posição adotada pela emissora sempre teve influência no calendário.

– Olha, o calendário é uma equação que, antes mesmo da questão da mídia, envolve definições esportivas. Eu entendo que essa questão está essencialmente nas mãos dos gestores do futebol. A Globo não é gestora do futebol, ela é parceira do futebol. Digo isso para fazer uma ressalva, porque muitas vezes eu falo algumas coisas para contribuir no debate, e as pessoas entendem como um posicionamento de toda a Globo. Na verdade, a Globo fica atenta para saber o que a CBF, as federações e os clubes vão decidir, que caminho eles vão tomar.

Fernando Manuel, diretor de direitos esportivos do Grupo Globo

 

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