Brasil Brasil

Estúdio News deste sábado discute a violência contra crianças

Debate mostra que cerca de 70% dos acontecem no círculo da família e que durante a pandemia a dificuldade da criança denunciar foi maior

29/04/2021 16h11
Por: Redação Fonte: R7
Luciana Temer, Mônica Gonzaga Arnoni e Renata Waksman - (Foto: Divulgação)
Luciana Temer, Mônica Gonzaga Arnoni e Renata Waksman - (Foto: Divulgação)

A violência contra crianças e adolescentes ainda é um tema invisível, falar sobre o assunto é desconfortável para muitos e envolve um tabu, visto que quem deveria proteger é a grande violadora em boa parte dos casos.

Cerca de 70% acontecem no seio da família e por isso é tão importante a participação da sociedade, professores e profissionais de saúde na identificação de casos, além do diálogo adequado para cada faixa etária.

Durante a pandemia, o registro de violência contra crianças e adolescentes diminuiu, porém, a diretora-presidente do Instituto Liberta, Luciana Temer, observa que o número foi reduzido, pois a criança em confinamento tem mais dificuldade em denunciar.

“O fato das crianças não terem ido para escola, não terem frequentado outros espaços, é o que resultou nessa diminuição de denúncias, que aliás, é bom registrar que vinha ano a ano crescendo, o que não significa que essa violência tenha crescido, significa talvez que a gente tenha conseguido dar mais visibilidade para ela e com a pandemia essa visibilidade diminuiu”.

“A prevenção é uma grande preocupação”. A juíza Mônica Gonzaga Arnoni, do Tribunal de Justiça de São Paulo, destaca que a violência, muitas vezes, passa de gerações para gerações e faz com que essas crianças que foram ofendidas se tornem adultos que vão violentar.

“Estamos relançando a campanha “Não se Cale” agora com a novidade de ter uma conversa direto com as crianças, uma conversa lúdica, um recado direto para a criança para que, se for o caso, ela fique atenta, busque ajuda e possa reconhecer a violência sofrida”.

Perceber que alguma coisa está errada também é papel do médico e da equipe multiprofissional. A área da saúde tem que estar preparada e, sob qualquer suspeita, tem obrigação legal de notificar o registro SINAN, registro obrigatório para qualquer médico da rede pública ou privada que suspeitar de uma ação de violência contra criança e adolescente em 24 horas, e avisar a Secretaria Municipal de Saúde e ao Conselho Tutelar.

Renata Waksman, coordenadora do Núcleo de Estudos de Violência contra Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), explica: - “O limite é muito tênue entre se aquilo que estão trazendo, que aconteceu com a criança, foi não intencional, ou seja, foi acidental, um trauma, uma queda ou se foi intencional, violência, mas os médicos que estão na linha de frente, principalmente o pediatra, são instrumentalizados e capacitados para detectar, para sentir, mas na verdade nem precisa ter muita experiência é só usar o bom senso, perceber que alguma coisa está errada”.

O Estúdio News vai ao ar aos sábados, às 22h15. A Record News é sintonizada pelos canais de TV fechada 55 Vivo TV, 78 Net, 32 Oi TV, 14 Claro, 19 Sky e 134 GVT, além do canal 42.1 em São Paulo e demais canais da TV aberta em todo o Brasil.

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.