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Após reunião com secretariado, Ernesto Araújo pede demissão 

Chanceler integrava a chamada ala ideológica do governo e estava no Planalto desde o início da atual gestão

29/03/2021 12h31
Por: Redação Fonte: R7
Ernesto Araújo estava no cargo desde o início da gestão Bolsonaro - (Foto: Marcos Corrêa/PR - 03.03.2021)
Ernesto Araújo estava no cargo desde o início da gestão Bolsonaro - (Foto: Marcos Corrêa/PR - 03.03.2021)

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pediu demissão do cargo nesta segunda-feira (29). Integrante da chamada ala ideológica do governo, o chanceler estava no cargo desde o início da atual gestão, mas não resistiu à pressão, inclusive do Centrão, que apoia o Planalto, em razão da política diplomática durante a pandemia.

O pedido para deixar o posto ocorreu após reunião com o secretariado. O chanceler havia cancelado a agenda oficial desta segunda para conversar com os subordinados. 

Na semana passada, as críticas à atuação de Araújo no Itamaraty se intensificaram após senadores, durante audiência pública na última quarta-feira (24), terem pedido sua saída. O chanceler foi questionado enquanto falava das dificuldades enfrentadas pelo Brasil para a compra de vacinas contra a covid-19.

A fritura continuou no dia seguinte, quando o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), subiu ainda mais o tom, afirmando que a política externa é falha e precisa de mudanças, mas sem citar diretamente Araújo.

"Tivemos muito erros no enfrentamento dessa pandemia e um deles foi o não estabelecimento de uma relação diplomática de produtividade com diversos países que poderiam ser colaboradores nesse momento agudo de crise que nós temos no Brasil. Ainda está em tempo de mudar para poder salvar vidas. Temos que mudar o rumo dessa política externa para que tenhamos parcerias, o Brasil é muito importante para o mundo em muitos aspectos aqui temos Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica e produção de alimentos para o mundo".

A situação tornou-se insustentável após o gesto obsceno, classificado como racista, feito pelo assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Filipe Martins, na mesma sessão de debate da quarta-feira, enquanto Pacheco falava.

Senado não é lugar de brincadeira. Senado é lugar de trabalho. E ali nós estávamos trabalhando, buscando soluções, informações de um ministério que está muito a quem do desejado para o Brasil. Era um trabalho muito sério que estávamos desenvolvendo, e que não pode esse tipo de conduta estar presente num ambiente daquele, mas claro, sem pré-julgamentos e garantindo a ampla defesa”, afirmou o presidente da Casa nesta quinta (25).

 

 

 

 

 

 

 

Na sexta-feira (26), a pressão se elevou com a nota pública da FNP (Frente Nacional dos Prefeitos). A carta pede ao governo federal que demita o ministro, em função do seu "leque diverso de trapalhadas e atitudes destrutivas" e para que o Brasil "reverta a política externa desastrosa que vem adotando".

Na tarde deste domingo (28), o chanceler publicou em suas redes sociais insinuação de que o negócio milionário da internet 5G estaria por trás dos ataques que sofreu de senadores na audiência pública de quarta. A atitude foi lida como clássica de um demissionário e irritou ainda mais os parlamentares.

 

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